Se um povo teve um poeta, esse poeta também teve um povo.
Emocionado e temeroso em proferir algumas palavras sobre esse mestre da vida, Mario Quintana, busco em sua linda essência, tentar não deixá-lo cair no esquecimento, principalmente aos nossos jovens.
Tenho que resumir, pois a sua vida não cabe numa simples crônica, deveria ser uma enciclopédia, como a Barsa, tamanha quantidade de frases e pensamentos que divagou durante a sua vida.
Humilde a sua vida toda, tanto no caráter como no financeiro, viveu de favores e de moradias cedidas por amigos, como Paulo Roberto Falcão e Dulce Helfer, a fotógrafa contratada para ilustrar os seus oitenta anos. Nesse último hotel, após a sua morte, o povo gaúcho exigiu que o governo o tombasse e o transformasse num Museu e assim foi, e hoje você pode visitá-lo e presenciar como era o mundo real desse gênio.
Deixemos essa realidade ser tomada pela vida inspirada desse jornalista, poeta e tradutor de obras francesas e inglesas, que com todo esse talento não conseguiu uma cadeira na ABL – Academia Brasileira de Letras, que com o perdão da palavra, tenho que mudar o significado dessa sigla para Associação de Boçais Levianos, que preferem políticos como imor(ais)tais do que os verdadeiros imortais. Também deixemos essa rude realidade aos analfabetos e vamos ao espírito imortal de um homem que brincava com as palavras para enfeitar a vida com mais cores e inteligências.
Enquanto brigamos com a preguiça de acordar na segunda-feira para trabalhar, nosso mestre nos ensina que o bom da segunda-feira, do primeiro dia do mês e de cada Ano Novo é que nos dá a impressão que a vida não continua, mas apenas recomeça. Que bom se todos nós tivéssemos essa mentalização do calendário. Que tal começarmos agora!
No amor ele também foi sublime e perspicaz, quando explora nossa ânsia de correr atrás de um grande amor, um príncipe encantado em seu cavalo branco, em poucas palavras, quando diz que o segredo é não correr atrás das borboletas...É cuidar do jardim para que elas venham até você. Ou então quando é suscito em explanar que nos foram dadas duas pernas para andar, duas mãos para segurar, dois ouvidos para ouvir, dois olhos para ver; mas por que só um coração? Porque o outro foi dado a alguém para nos encontrar. Já posso ver a alma de Shakespeare se mordendo de inveja, por esse poeta não ter vivido em sua época.
Claro que ficaria quase uma eternidade mostrando suas frases, poesias, artigos e tudo mais que ele tenha derramado de tinta num papel branco, mas o que eu espero é nossos jovens busquem nesse homem, um puro e simples reflexo para iluminar as suas vidas e como última lição mais uma de suas frases.
“Sentir primeiro, pensar depois. Perdoar primeiro, julgar depois. Amar primeiro, educar depois. Esquecer primeiro, aprender depois.”
Se ele não foi declarado um IMORTAL por um punhado de imbecis, foi pelo seu povo, aclamado e adorado em todas as gerações que tiveram acesso e ainda terão do seu espírito vivo, zombeteiro e sagaz.
Obrigado Mario Quintana por ter nascido brasileiro e desculpe a nossa elite literária que tanto sentiu inveja da sua arte.
