domingo, 9 de março de 2014



Se um povo teve um poeta, esse poeta também teve um povo.


Emocionado e temeroso em proferir algumas palavras sobre esse mestre da vida, Mario Quintana, busco em sua linda essência, tentar não deixá-lo cair no esquecimento, principalmente aos nossos jovens.
Tenho que resumir, pois a sua vida não cabe numa simples crônica, deveria ser uma enciclopédia, como a Barsa, tamanha quantidade de frases e pensamentos que divagou durante a sua vida.
Humilde a sua vida toda, tanto no caráter como no financeiro, viveu de favores e de moradias cedidas por amigos, como Paulo Roberto Falcão e Dulce Helfer, a fotógrafa contratada para ilustrar os seus oitenta anos. Nesse último hotel, após a sua morte, o povo gaúcho exigiu que o governo o tombasse e o transformasse num Museu e assim foi, e hoje você pode visitá-lo e presenciar como era o mundo real desse gênio.
Deixemos essa realidade ser tomada pela vida inspirada desse jornalista, poeta e tradutor de obras francesas e inglesas, que com todo esse talento não conseguiu uma cadeira na ABL – Academia Brasileira de Letras, que com o perdão da palavra, tenho que mudar o significado dessa sigla para Associação de Boçais Levianos, que preferem políticos como imor(ais)tais do que os verdadeiros imortais. Também deixemos essa rude realidade aos analfabetos e vamos ao espírito imortal de um homem que brincava com as palavras para enfeitar a vida com mais cores e inteligências.
Enquanto brigamos com a preguiça de acordar na segunda-feira para trabalhar, nosso mestre nos ensina que o bom da segunda-feira, do primeiro dia do mês e de cada Ano Novo é que nos dá a impressão que a vida não continua, mas apenas recomeça. Que bom se todos nós tivéssemos essa mentalização do calendário. Que tal começarmos agora!
No amor ele também foi sublime e perspicaz, quando explora nossa ânsia de correr atrás de um grande amor, um príncipe encantado em seu cavalo branco, em poucas palavras, quando diz que o segredo é não correr atrás das borboletas...É cuidar do jardim para que elas venham até você. Ou então quando é suscito em explanar que nos foram dadas duas pernas para andar, duas mãos para segurar, dois ouvidos para ouvir, dois olhos para ver; mas por que só um coração? Porque o outro foi dado a alguém para nos encontrar. Já posso ver a alma de Shakespeare se mordendo de inveja, por esse poeta não ter vivido em sua época. 
Claro que ficaria quase uma eternidade mostrando suas frases, poesias, artigos e tudo mais que ele tenha derramado de tinta num papel branco, mas o que eu espero é nossos jovens busquem nesse homem, um puro e simples reflexo para iluminar as suas vidas e como última lição mais uma de suas frases.

“Sentir primeiro, pensar depois. Perdoar primeiro, julgar depois. Amar primeiro, educar depois. Esquecer primeiro, aprender depois.”

Se ele não foi declarado um IMORTAL por um punhado de imbecis, foi pelo seu povo, aclamado e adorado em todas as gerações que tiveram acesso e ainda terão do seu espírito vivo, zombeteiro e sagaz. 
Obrigado Mario Quintana por ter nascido brasileiro e desculpe a nossa elite literária que tanto sentiu inveja da sua arte.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

SER UM TOLO, COMO O BOBO DE CLARICE

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Tem dias que me sinto um tolo, como o bobo de Clarice e nesses dias meu coração parece inchar tanto, que começo a divagar. Divagar no estilo de Cervantes com seu cavaleiro de lata, lutando contra moinhos de vento e rebanhos de ovelhas ou como o membro da Sociedade dos Poetas Mortos e querer subir numa cadeira, só para ver o mundo de uma outra maneira.
Como o bobo de Clarice, me pego questionando, enquanto olho o mundo pela janela, por que não estou fazendo nada, mas como o bobo, eu também estou pensando.
Pensando em como esse mundo é tão estranho, onde não se aproveita tudo o que está ao seu redor sem precisar lutar, roubar, corromper ou invejar e resultar em irar-se contra o seu semelhante, ao invés de usar sua sabedoria, por mais pouca que seja, em coisas que possam ser usadas por outras gerações. Não! Preferem serem mais espertos que o bobo de Clarice e então enganam, ludibriam e ficam mais felizes por levarem vantagens. Mas esquecem que o bobo, o bobo de Clarice, não é burro é só bobo.
Retomando os dias de tolo, como o bobo de Clarice, tenho vontade de saltar pela janela de um prédio, não por suicídio e sim por uma vontade louca de voar, ver o mundo lá de cima, com o ar mais puro, a liberdade mais realçada e o sentimento de não fazer parte daquele minúsculo aglomerado de espertos.
Continuar sendo um tolo, para ficar exclamando, como o bobo de Clarice, e tentar colocar palavras boas e firmes nos velhos novos ouvidos de uma geração que adormece a mente e agiliza seus dedos indicadores. Acender a chama da aventura, sim aventura, pois o tolo viaja mesmo sem sair do seu “quadrado”, conhece mundos, vidas, palavras e imagens, e sem mesmo usar o Facebook ou Youtube, viaja.
Nessas horas, em que me sinto um tolo, como o bobo da Clarice, eu até sorrio, sorrio sonhando, sonhando com o bobo da Clarice e depois eu fico bem melhor, pois o tolo de tanto querer sonhar, dorme mais tranquilo que o esperto da Clarice que dorme com medo de ser ludibriado.

Kiko Zampieri

domingo, 16 de fevereiro de 2014

- "O BRANCO E O NEGRO"


O amor não tem cor, não tem cheiro, não tem gosto, não podemos nem ouvi-lo, assim também a saudade, a solidão, a tristeza e o preconceito. Sabe por quê? Porque eles não tem bocas, olhos, nariz, ouvidos e nem coração, mas conseguimos sentir em nosso corpo cada um deles e damos a eles uma cor, um cheiro, um gosto, um som, um tato, pelo simples fato de sentir. Então por que ainda menosprezamos aqueles que possuem apenas o corpo diferente? Seja pela cor, pelo físico, pela doutrina, pela preferência sexual ou pela idade.
O BRANCO, por ter vivido uma eternidade sob o gelo, conseguiu explorar mais o seu cérebro que o NEGRO, que vivia uma eternidade sob o sol escaldante, mas foi o NEGRO que usou mais o coração, pois ele vivia entre as coisas mais belas da Natureza. Não é preciso levantar nenhuma bandeira em favor da Raça Negra, pois ela é o oposto da Raça Branca, em alegria, em cânticos, em artes, em viver. Sim, vida, vida que, até que se prove o contrário, surgiu no Continente Negro, e foi dali que o Homem Branco também surgiu e depois desenvolveu e partiu para as áreas geladas, mas partiu Negro. 
Pode-se notar que a Natureza deu ao Negro uma cor de pele para que se protegesse do sol e ao Branco, pelos pelo corpo para que se protegesse do frio, então quando alguém chamar um Negro de "macaco" lembrem-se que o "macaco" é a junção da cor Negra com os pelos dos Brancos. Como Darwin teorizou somos todos descendentes dos macacos. Reflita com seu coração antes de ofender quem quer que seja.

O SONHO DE UM MENINO


Estava deitado sobre um monte de areia, que estava acondicionada dentro de vagão de carga. Enquanto os outros meninos brincavam, pulando de um vagão ao outro, eu sonhava. Sonhava que era um cavaleiro andante, como Dom Quixote, só que bem mais bonito, alto, forte, armadura prateada e um cavalo branco como a lua. Eu salvava princesas, derrotas monstros e era aplaudido pelo povo. 
Com o tempo passando foi observando que no passado o sonho deitado sobre o vagão, se tornava realidade, tirando as devidas proporções, fiz do meu coração minha armadura, fiz do meu cérebro o valente cavalo branco, fiz da caneta minha espada de aço, fiz das mulheres minhas princesas, só não sabia que havia tantos monstros em forma de HOMEM, e uma lei proibia que os matassem, então num piscar de olhos, virei poeta para enaltecer o amor e os enamorados, virei escritor para contar ao mundo minhas aventuras e me tornei um cronista para tentar coibir todos os HOMENS MAUS. E me tornei KIKO ZAMPIERI.